terça-feira, 18 de setembro de 2012

Seguindo a regra


Já conheço minha regra.
Se da boca pra fora: verdade.
Se da mão pro papel: extração de pensamentos nem sempre reais.
Por isso, me calo e escrevo.
Chega assim de mansinho, de lá pra cá.
Quem você pensa que é pra me tratar tão bem assim?
Prefiro o conforto da porta a ter que me apegar.
Pega seu ser maravilhoso e vai pro seu canto.
Clichê ou não, digo mesmo assim:
Não posso, não devo. 

Pensamento arquivado, verdadeiro ou não,  já pode ser deletado da mente.

domingo, 29 de julho de 2012

Apenas mais algumas palavras

Esse seu jeito de olhar
O mundo,
Seu jeito de encarar
Meu silêncio,
Seu olhar que tanto  me intriga
Já não rege minha vida
E no entanto...
Mesmo com tudo
Ou com nada...
Ainda assim...
Penso.
Não digo que tento, não minto.
Mas repenso.
Se posso viver sem seu olhar,
Se consigo sair do seu ponto vista,
Do seu campo de visão...
Contudo,entretanto, mesmo assim...
Dois pensamentos se entrelaçando.
Não saio dos contrapontos.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Perdoa meu amor...

Perdoa o tempo que passou...
Ele não tem culpa de seguir o curso.
Se não fosse por ele ainda seria sua menininha
Mas passou,
digo o tempo passou
Eu ainda quero ser sua menininha
Perdoa o tempo que passou...
E arrastou minha infância
E me fez ter que soltar sua mão,
Eu não queria.
Sempre que posso volto correndo para agarrá-la
Perdoa os tempos de angustia...
Quando meu corpo doe ao ver sua tristeza
Lembra do meu abraço
Por favor, lembra que estou ai
Mesmo do meu jeito distante
Eu estou ai do seu lado
E fica bem, tá?
Perdoa esses meus dengos,
meus carinhos quase sufocantes,
meus abraços eternos...
Perdoa minha mania de dizer "EU TE AMO" ao prantos.
Perdoa esse meu amor desconsertado...


Para o amor da minha vida : minha mãe.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Nem tudo é cômodo para sempre...

Adentrei o cômodo.
Mesmo sabendo que nada restava lá, nada além de palavras riscadas pelas paredes e sorrisos escondidos em retratos. De nada importava o resto, era cômodo e isso bastava.
Lembro-me de sentar naquele chão e deixar minha mente voar como um bem-te-vi para além daquelas paredes. Depois o bem-te-vi voltava e escupia nas paredes o que tinha visto lá fora, as vezes, inventava. Bem, te vi nas paredes. Era assim.
Entrei despida de emoção, ouvi aquele reggae. Cantei, dancei, rompi o silêncio : sem emoção. Lembrança em pleno controle.
Na hora em que a paz regia o cômodo....

Incômodo virou.

Tudo tremeu, o teto se abriu e uma tempestade me encharcou, tive que me vestir. Meus olhos não se abriam pela chuva, pelo medo...
Cessou...tudo fora do lugar: palavras desconexas, sorrisos ironizando minha agonia.
O teto se fechou, parou...aparente calmaria.

Pude ouvir uma música se esvaindo como se não tivesse mais razão de existir cortando o silêncio deslocado. Eram cadências finalizando versos, colocando um ponto final na melodia. Infelizmente as notas soavam como um engano, elas tentavam se afirmar , mas desafinavam.
Num susto vi a luz voltar ao cômodo e revelar os entulhos que restaram. Nem música, nem frases e nem sorrisos encobriam a sensação de angustia . Sufocamento. Sentia que as paredes se aproximavam apertando os entulhos contra meu corpo. Talvez essa paredes tivessem boa intenção, quisessem juntar as migalhas, restaurar o cômodo. Mas nada era suficiente, aquele lugar não era mais aconchegante , era incômodo.
Tinha coisa demais lá dentro, mal podia respirar. Ouvi tudo que não queria ouvir, vi ou imaginei o que não deveria, senti a  dor que já havia curado...insuportável.

Tranquei a porta do cômodo, tal incômodo. e corri, pensei e não fui muito longe.
Sai de lá, mas jamais esquecerei o que vi, vivi e revivi dentro daquelas quatro paredes manchadas de vermelho e branco com riscos pretos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

De vaga em vaga....

Vai vagar por aí
Devagar
Vai devagarinho
Divagando e vagando
Vai, deveras, vagar
um espacinho em mim
Mas vai devagar
Ainda vou vagar um pouco, querubim!
Divago sempre...
Volta ! Não vaga mais
A vaga agora te espera
Se divagando, estou, que seja junto do seu vagar
Não quero mais ir devagar...

Cânone

Difícil negar,
Impossível dizer não
Quando as bocas se calam.
Lábios escancarados,
Gritos, cânones.
Ouço sopros, gritos sopranos;
Difícil não dizer,
Impossível negar
quando os olhos cegam,
Invade um clarão,
Transporta o paraíso;
Impossível negar
quando o corpo quer abrir espaço,
Acolher.
-perdão!
-Não fale...
Cala-me.
Cega-me.
Canta comigo e nos calamos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A única exceção

A música tomava conta do interior do carro estacionado....
  - Deitem a cabeça fora da janela. Agora abram os olhos e vejam o céu. Olhem as nuvens, como elas se movem...perfeição.
  -É triste...
  - Ahn, por que?
  -É triste ter que questionar o porquê de não ter nascido um pássaro. E se eu fosse um teria pena, voaria olhando para baixo, sorrindo para quem não pode sentir as nuvens como eu sinto.
  - Preciso  confessar um fato : se me arrancassem a cabeça agora, morreria feliz com a imagem que ficaria gravada nos meus olhos
  - Ai que horror! Mas...de fato.

Não importa onde estou. Se o silêncio paira ou se uma voz canta lembranças minhas ou de quem me rodeia. Nada mais importa quando quem se ama está logo ao lado. Porém existe uma... talvez a única a exceção  : hoje o céu foi capaz de roubar a cena, por um dia foi a palavra-chave, a razão de uma vida inteira.
Afinal, existe poesia mais bela que a escrita no céu pelas e nuvens e pelo sol?
Existe prosa mais emocionante que a amizade?
Junto a poesia, a prosa, a melodia que me envolve e vivo, vivo sem perder o sorriso...Sonho em voar, sonho em juntar todas as penas da minha vida e criar asas, voar...


Baseado nas reflexões de Regina Lemos e Kamila Silva.